sei que é um cliche, mas robert doisneau é um dos meus fotografos favoritos. Essa imagem logo abaixo é a minha preferida. Sempre me vejo um pouco nos olhos daquela mulher. Provavelmente a solidao, tenho muito essa solidao melancolica dentro de mim. Me sinto assim por nascença. Nem sei me imaginar diferente.
hoje acordei meio estupefada comigo mesma. Apesar da minha solidao congenita, eu sempre tive essa habilidade de me apaixonar perdidamente pelo outro. De me jogar de cabeça nos relacionamentos e de jamais saber a hora de parar. Enfim, parece que isso acabou. Por um lado, me sinto feliz. Paixao é otimo, mas as consequencias nem sempre sao agradaveis. Por outro, tenho medo de que tenha endurecido de verdade. Sera que perdi a capacidade de amar? De me entregar? De arriscar? Perder a capacidade de arriscar é triste. Porque é confortavel, mas é monotono. é viver em letargia e eu gosto, ou sempre gostei de botar emoçao em tudo que fiz. Mais ou menos como meu pai que fantasia as estorias, “acrescenta dados” so pra ficar mais emocionante.
Acho que por isso lembrei de Do amor e outros demonios. é um dos meus romances favorites. Li esse livro aos 20 anos, me apaixonei por Gabriel Garcia Marquez naquele momento e tambem muitas outras vezes depois. Sera que ainda sou capaz de me apaixonar por ele? Nao sei.
E parafraseando aquele maluco, in life sometimes you don’t have to be stronge, but feel stronge.
se eu tivesse dinheiro pra isso.
nao sei porque, mas tenho uma cisma profunda com a islandia. Se tivesse que escolher um lugar pra visitar a qualquer momento ou qualquer periodo do ano, seria reykjavik. Mesmo com dias de duas horas de duraçao e temperaturas congelantes.
talvez seja por influencia de um filme que vi numa madrugada de sabado qualquer onde um cara entrava numa agencia de viagens ou viajens e dizia: “me de a passagem mais barata de qualquer voo que saia agora”.
aposto que a vendedora da agencia lucrou nas costas dele. Nunca que reykjavik seria o destino mais em conta. Se fosse, ja estaria la.
Eu nao sei quanto a voces, mas ginastica olimpica sempre foi um dos meus esportes preferidos ou pelo menos um dos poucos que da gosto de assistir e eu perco tempo pra olhar. Foi por isso que hoje e as 16h eu larguei os livros e fui dar uma olhada no time brasileiro.
Eu ja moro aqui ha seis anos, mas nunca tinho ido a Luxemburgo, lugar que sempre quis fazer uma visita. Entao, durante essa semana como parte do meu presente de aniversario (o outro foi uma canon EOS usada, mas ainda em bom funcionamento), ganhei dois dias la. Adorei! Muito tranquilo, mesmo com camping cheio de holandeses. Alias, parecia com o camping de Amsterdam ja que todo mundo (inclusive as recepcionistas), falavam holandês.
A impressao geral é que Luxemburgo é uma Belgica em miniatura, so que bem mais feminina arquitetonicamente (cheia de tons pasteis, subidas e descidas…hohoho) e sem aquela guerra interna insana. Enquanto jogava mini-golfe (o que deve ser o segundo esporte nacional luxemburgues depois do ciclismo. E sim, eu joguei mini-golfe, ha!), tinha uma turminha de jardim e as professoras falavam com as crianças na maior naturalidade tanto em luxemburguês quanto em francês. Nao imagino a mesma cena em Bruxelas, penso eu.
Além disso, tem muitos portugueses em Luxemburgo, cerca de 15% da populaçao, ja pensou? Vi ate pastel de Belem numa padaria. Eu gosto dos portugueses, com todo aquele mau humor e melancolia tao peculiar.
No mais, acho que moraria em Luxemburgo, se tivesse uma familia, filhos etc etc etc. Me parece um lugar tranquilo, tranquilo demais digamos. Vamos combinar assim, luxemburgo é pra passar ferias anti-stress, e so.
Apesar do drama do post anterior, esse foi o melhor aniversario que tive desde que cheguei nesse pais. O problema com o meu aniversario é que sempre crio muitas expectativas em relaçao a ele. “Tem que ser especial”, penso eu. E dois meses atras, eu tinha pensado em ir pra Turquia, mas faltou tempo e dinheiro. Entao, nos 40 minutos do segundo tempo, eu tive a grande ideia de torna-lo especial por mim mesma. Puxei minha amiga pelo braço e fomos fazer um passeio de barco pelos canais de Gante, coisa que eu sempre quis fazer. Mas porque foi especial ja que da pra fazer o passeio todo dia? Era noite, foi durante as festas de Gante e voce ganhava de brinde duas latas de cerveja .
E foi assim que hoje eu sai dos 20 anos. As desculpas acabaram, o relogio parece que apressa os ponteiros.
To no meu quarto, sozinha e pensando em como seria se os 12 mil quilometros de distanciam que me separam dos meus queridos simplesmente nao existissem. Como seria afinal? Talvez tivesse no meu antigo quarto, minha mae me acordaria e nao deixaria eu comer o bolo de coco que ela fez no dia anterior. Eu teria que esperar ate a tarde. Provavelmente, meu irmao apareceria, juntamente com minha sobrinha formiga. Minha irma estaria la com o mais novo pequeno da familia. A gente iria rir um poucos, brigar um pouco, tomar coca-cola. Meu pai chegaria sem graça pra me dar um abraço. Minha mae choraria ainda na primeira hora da manha. Minha irma me daria um anel ou um par de brincos ou com qualquer outra coisa fofa. Talvez minha tia estivesse la tambem. Eu gostaria. A noite, eu ia colocar a roupa nova e iria sair com a Ana ou a Leila ou as duas. Sendo 30 e num sabado, é provavel que eu chamaria diferentes amigos queridos, todos aqueles que gosto, mas que nem de longe se conhecem. E seria uma festa esquisita. Mas nada que uma boa quantidade de cerveja nao ajudasse na descontraçao.
E eu poderia ficar aqui pensando no que teria sido meu aniversario de 30 anos, que caiu num sabado e tinha tudo pra ser marcante. Porque hoje eu daria um braço pra me sentir parte de alguma coisa. Tudo bem, eu dou uma unha todos os dias. Entao o que é um braço pra quem ja esta cagado.
Mas foda-se! Aos trinta, eu sou a somatoria de todas as minhas escolhas e as vezes (sempre) eu nao posso deixar de pensar que elas foram todas erradas. Porque sao os trinta e eu ja nao tenho mais desculpas pra minha impulsividade, pra minha sede de vida, pras minhas paixoes, pro “o amanha que se dane”. Estranho e altamente triste essas merdas que escrevo agora. Diria que é de uma auto-piedade deprimente. Mas é meu aniversario, é meu dia e escrevo a besteira que eu quiser (mais uma).
Me sinto sozinha. Mas nao é de hoje, eu ja nasci me sentindo assim. Eu gosto das pessoas, gosto de pessoas perto de mim, mas me sinto sozinha, sempre. Os 12 mil quilometros nao sao apenas uma barreira fisica. Tirando alguns encontros relampagos que a vida se encarregou de promover, tenho a impressao que ninguem nunca chegou perto de mim de verdade. E pela primeira vez, nao sinto que a culpa é minha.
Ontem fui num show de metal com minha amiga paulistobelga. Foi legal!!! Oh Deus, ela me salvou de mim mesma ontem a noite. Depois, fomos tentar beber todas nas festas de Gante e tentar uma noitada daquelas no Charlatan. Tocou de tudo, inclusivo Lionel Richie. All night long de cu é rola!
Mas tamos véias, pracaraio! Sucumbimos antes das quatro. Um africano me perguntou se eu era muçulmanda por causa da pinta no nariz (“iishala muito ouro! é meu aniversario hoje”, tive vontade de dizer). A primeira pessoa a me dar parabens foi meu fa sudanês, por sms no celular. Nao faço ideia de como ele lembrou meu aniversario, ja que eu mesma nem lembro de ter comentado algum dia. Cara esquisito!!! E quem eu queria que ligasse, nem ligou (amigos, ainda espero). A vida é uma sucessao de expectativas que se afogam no meio do rio. As vezes, ja na beira, quase no outro lado da margem. E eu devo estar bebada ainda, so pode! Daqui a pouco eu venho com aquela de que uma expectativa que se banha no mesmo rio duas vezes ja nao é mais a mesma. Socorro!
Ganhei uma bolsa vermelha, linda, um perfume, me dei presentes tambem. Minha amiga ligou e o filho de dois anos me deu parabens pelo telefone. Fofo demais!
Agora vou sair na chuva, comprar um fatia de bolo, colocar trinta velas em cima e cantar parabens pra mim mesma. Com sorte, coloco fogo no meu quarto. Mas nao levem a serio, primeiro porque bolo é contra minha atual religiao, segundo porque nao tenho velas e nem fosforos em casa.
A Samanta faz anus, o azar é so dela. E cada ano que passa, ela fica mais velha…